Ora bem. A Maria esqueceu-se da palavra-passe para entrar aqui no seu HI5 e precisava muito de falar com a outra Maria (Seixal?), que tb é amiga do João... Beijos para vocês
Então?... sonhar viver sonhar viver sonhar, caminhar... viver sonhar... lutar... caminhar... sonhar (ninguém é só. não faças caso que hoje falta-me inspiração).
Beijinho.
Antonio Machado - "Cantares"
Feliz Natal para toda a Terra e que os sonhos sempre se reproduzam muito, muito, muito... Feliz Natal, Maria! Um grande beijo desde céu dos sonhos de Brel:
A solidão... Não sei bem o que ela é, sei que há tantas emoções, sentimentos que emergem, entrechocam, e surge a solisão. Estar em solidão, no aconchego, sem confrontos, sabe bem, mas a realidade exige outra coisa... vivê-la na superfície do social. Bom resto de Domingo.
"Para se ser livre é preciso coragem, muita coragem. E, desde logo, coragem para uma escolha fundamental, a do respeito por si mesmo. Porque é bem mais fácil sobreviver acobardando-se do que escolher viver livremente. Os locais de trabalho, a vida política, a mera existência social, estão (basta olhar em volta) cheios de cobardes de sucesso. O jornalismo não é, e porque haveria de ser?, excepção, pois a pusilanimidade e a cumplicidade dão menos incómodos e rendem mais que a dignidade. Mas, enquanto na vida politica e social, o preço da liberdade é a solidão (as águias, como Nietzsche escreve, voam solitárias; os corvos andam e grasnam em bandos), no jornalismo o preço é às vezes a própria vida. Anna Politkovskaya escolheu a liberdade e pagou com a vida. Mas a Rússia é um lugar longínquo e entre nós não se dão tiros na nuca a jornalistas, na pior das hipóteses despedem-se. É, por isso, fácil chorar por Anna Politkovskaya, basta só um pouco de falta de pudor. Assim, os jornais portugueses encheram-se nos últimos dias de grasnidos e lágrimas de crocodilo vertidas por gente que, na sua própria vida profissional, escolhe o salário do medo. Alguns conheço-os eu e, como no soneto de Arvers, hão-de ler-me e perguntar "De quem falará ele?".
Manuel António Pina in “Jornal de Notícias”-10/10/2006
"Não é a fome, mas, pelo contrário, a abundância, o excesso de energias, que provocam a guerra."
José Ortega y Gasset
"O importante é a lembrança dos erros, que nos permite não cometer sempre os mesmos. O verdadeiro tesouro do homem é o tesouro dos seus erros, a larga experiência vital decantada por milénios, gota a gota."
José Ortega y Gasset
"Muitos homens, como as crianças, querem uma coisa, mas não as suas consequências."
José Ortega y Gasset
"A ciência consiste em substituir o saber que parecia seguro por uma teoria, ou seja, por algo problemático."
José Ortega y Gasset
"O que distingue um grande poeta é o facto dele nos dizer algo que ninguém ainda disse, mas que não é novo para nós."
Si peu d'oeuvres pour tant de fatigue et d'ennui ! De stériles soucis notre journée est pleine : Leur meute sans pitié nous chasse à perdre haleine, Nous pousse, nous dévore, et l'heure utile a fui...
"Demain ! J'irai demain voir ce pauvre chez lui, "Demain je reprendrai ce livre ouvert à peine, "Demain je te dirai, mon âme, où je te mène, "Demain je serai juste et fort... pas aujourd'hui."
Aujourd'hui, que de soins, de pas et de visites ! Oh ! L'implacable essaim des devoirs parasites Qui pullulent autour de nos tasses de thé !
Ainsi chôment le coeur, la pensée et le livre, Et, pendant qu'on se tue à différer de vivre, Le vrai devoir dans l'ombre attend la volonté.
I Quero fugir ao mistério Para onde fugirei? Ele é a vida e a morte Ó Dor, aonde me irei?
II O mistério de tudo Aproxima-se tanto do meu ser, Chega aos olhos meus d'alma tão [de] perto, Que me dissolvo em trevas e universo... Em trevas me apavoro escuramente.
III O perene mistério, que atravessa Como um suspiro céus e corações...
IV O mistério ruiu sobre a minha alma E soterrou-a... Morro consciente!
V Acorda, eis o mistério ao pé de ti! E assim pensando riu amargamente, Dentro em mim riu como se chorasse!
VI Ah, tudo é símbolo e analogia! O vento que passa, a noite que esfria, São outra coisa que a noite e o vento — Sombras de vida e de pensamento.
Tudo o que vemos é outra coisa. A maré vasta, a maré ansiosa, É o eco de outra maré que está Onde é real o mundo que há.
Tudo o que temos é esquecimento. A noite fria, o passar do vento, São sombras de mãos, cujos gestos são A ilusão madre desta ilusão.
VII Mundo, confranges-me por existir. Tenho-te horror porque te sinto ser E compreendo que te sinto ser Até às fezes da compreensão. Bebi a taça [...] do pensamento Até ao fim; reconhecia pois Vazia, e achei horror. Mas eu bebi-a. Raciocinei até achar verdade, Achei-a e não a entendo. Já se esvai Neste desejo de compreensão, Inalteravelmente, Neste lidar com seres e absolutos, O que em mim, por sentir, me liga à vida E pelo pensamento me faz homem. ............................................................................ ............................................................................ ..........................................E neste orgulho certo Fechado mais ainda e alheado Me vou, do limitado e relativo Mundo em que arrasto a cruz do meu pensar.
VIII Cidades, com seus comércios...
Tudo é permanentemente estranho, mesmamente Descomunal, no pensamento fundo; Tudo é mistério, tudo é transcendente Na sua complexidade enorme: Um raciocínio visionado e exterior, Uma ordeira misteriosidade — Silêncio interior cheio de som.
IX Já estão em mim exaustas, Deixando-me transido de terror, Todas as formas de pensar [...] O enigma do universo. Já cheguei A conceber, como requinte extremo Da exausta inteligência, que era Deus... ........................................................................ Já cheguei a aceitar como verdade O que nos dão por ela, e a admitir Uma realidade não real Mas não sonhada, [como o] Deus Cristão. ........................................................................ ...Falhados pensamentos e sistemas Que, por falharem, só mais negro fazem O poder horroroso que os transcende A todos, [sim,] a todos. Oh horror! Oh mistério! Oh existência! ........................................................................
X O segredo da Busca é que não se acha. Eternos mundos infinitamente, Uns dentro de outros, sem cessar decorrem Inúteis; Sóis, Deuses, Deus dos Deuses Neles intercalados e perdidos Nem a nós encontramos no infinito. Tudo é sempre diverso, e sempre adiante De [Deus] e Deuses: essa, a luz incerta Da suprema verdade.
XI Nos vastos céus estrelados Que estão além da razão, Sob a regência de fados Que ninguém sabe o que são, Ha sistemas infinitos, Sóis centros de mundos seus,
E cada sol é um Deus.
Eternamente excluídos Uns dos outros, cada um É universo.
XII Num atordoamento e confusão Arde-me a alma, sinto nos meus olhos Um fogo estranho, de compreensão E incompreensão urdido, enorme Agonia e anseio de existência, Horror e dor, [agonia] sem fim!
XIII Fantasmas sem lugar, que a minha mente Figura no visível, sombras minhas Do diálogo comigo.
XIV Não, não vos disse ... A essência inatingível Da profusão das coisas, a substância, Furta-se até a si mesma. Se entendesses Neste ou naquele modo o que vos disse, Não o entendesses, que lhe falta o modo Por que se entenda.
XV Do eterno erro na eterna viagem, O mais que [exprime] na alma que ousa, É sempre nome, sempre linguagem, O véu e capa de uma outra cousa.
Nem que conheças de frente o Deus, Nem que o Eterno te dê a mão, Vês a verdade, rompes os véus, Tens mais caminho que a solidão.
Todos os astros, inda os que brilham No céu sem fundo do mundo interno, São só caminhos que falsos trilham Eternos passos do erro eterno.
Volta a meu seio, que não conhece os deuses, porque os não vê, Volta a meus braços, melhor esquece que tudo só fingir que é.
Aniversário Atrasado * Mensagens e imagens!